O Destino Bate à Sua Porta
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Esse é um filme que faz parte da seleção dos “Clássicos do COBRA”.
Você quer conhecer um homem de verdade? Veja as mulheres que ele admira, as que ama, as que conversa e as que acasala. Se uma, somente uma; passa todas essas sensações, ela é a eleita. No tocante ao cinema, Jessica Lange para mim consegue unir tudo: beleza, sexo, inteligência e saúde. Amo-a! É a melhor, disparado. Se duvida, veja King Kong onde ela arrasa com apenas a metade de um seio. Totsie, e depois sua obra-prima: Frances, e não deixe de se impressionar com Blue Sky…
Jack Nicholson é o vagabundo do Frank Chambers. Ele não tem nada, não quer nada, não vale nada. Vai trabalhar numa cafeteria de beira-de-estrada onde o já erado proprietário grego vive com sua mulher. E que mulher! Somente o primeiro olhar dela, com o cigarro no canto da boca, o dentinho quebrado, o cabelo loiro e anelado (coisa que não se vê hoje, num mundo de loiras falsas e alisadas) já mostra que ela tem tudo, quer tudo e vale tudo.
Se química é algo matemático, a física também o é. Contudo o contato entre os dois atores transcende o físico-quimico e arrebenta com as leis da moral e bons costumes. Cena maravilhosa da cozinha onde ela joga o pão para a direita, a faca para esquerda, e pó para todo lado e diz apenas: c’mon, ah! c’mon! E não é uma rapidinha ocasional, existem toques, movimentos cadenciados, o
esfregar das grandes amantes.
Daí em diante o filme tem inúmeras reviravoltas. Um belo “noir” em que a tensão que envolve o casal chega apagar a luz do local onde vivem matando um gatinho de choque, em vez de liquidar o inocente e feliz marido.
Eles tentam fugir e a Natureza vadia de Frank põe tudo a perder. Eles simulam um acidente e o mesmo fica pior do que a encomenda. Eles são expostos, são julgados e nada os abala. Até que um pequeno documento assinado por Frank coloca-a em total desordem emocional. Mulher quando fica louca, é perigo.
Depois de o diretor nos enganar achando que eles estão livres, soltos e juntos afinal, surge uma velha história da infidelidade passageira de Chambers… Mas também como resistir a uma Angelica Houston que cria um puma? A cena de Lange de pernas abertas, vestido no meio, voz embargada, exige um salto felino de Nicholson.
Eles depois da tempestade tomam uma chuva, se beijam no final da tarde. Mas uma nova ameaça ressurge. O sujeito que colheu um depoimento dela, para o seu advogado de defesa- no momento de fúria- surge das trevas, chantageando-os. Mas o que é uma pessoa de cabelo de cor de cenoura diante dos dois? Nada!
O final caminha para o idílico… ele muito bem vestido, ela também… um beijo no meio do caminho e… Crash!
O que há de bom: melhor atriz dos anos oitenta, mulher de 300 talheres junto com o glutão do Jack Nicholson, não há como errar
O que há de ruim: mais música, mais roupas da época, mais sexo!
O que prestar atenção: chapéus de feltro e vestidinhos com desenho geométrico de pequenos decotes são combinação perfeita
A cena do filme: a mesa, a farinha de trigo, ela dizendo; wait, wait, wait!
Cotação: filme excelente (@@@@@)
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C.O.B.R.A
cobra@oquerola.com
Tags: cinema, críticas, o destino bate à sua porte

